Prêmios e brindes: quando gibis e empresas promoviam-se mutuamente

Por Marcus Ramone
Data: 3 dezembro, 2015

Ganhar prêmios comprando revistas em quadrinhos. Comprar algum produto nos supermercados ou em lojas de departamento para ganhar um gibi.

Isso pode soar estranho para a atual geração de leitores, mas essas promoções eram tão comuns quanto recorrentes até os anos 1980, com uma ou outra dando as caras na década de 1990.

Muitas delas marcaram época, mobilizando uma legião de fãs de quadrinhos em torno de seus gibis prediletos – como um elemento a mais no prazer de colecionar – ou de produtos diversos que proporcionavam o aumento de sua coleção de revistas.

Conheça – ou relembre – algumas dessas promoções.

Omo

Omo

Qualquer colecionador que viveu o período dessa promoção, concordará em dizer que jamais houve ou haverá outra como ela.

Imagine comprar uma caixa do sabão em pó Omo para recortar um cupom que dava ao consumidor a opção de escolher um de quatro gibis – Pato Donald, Luluzinha, Zé Carioca ou Bolinhade graça! Bastava ir a uma banca e trocar o cupom pela revista em quadrinhos.

A promoção correu durante alguns meses de 1982 e teve a propaganda veiculada em todos os gibis da Editora Abril nesse período.

Nunca, antes ou depois, os filhos ficaram tão preocupados com a limpeza das roupas da casa, ao ponto de pedir à mãe para comprar tantas caixas de sabão em pó. Mas tinham que ser da Omo.

Cartela Milionária

Cartela Milionária

Há quem, até hoje, guarde a frustração por não ter ganhado nenhum prêmio dessa promoção, que rolou durante alguns meses de 1983.

Eram muitos e variados prêmios: motos, bicicletas, videogames, bolas, bonecos do Snoopy e autoramas, dentre outros, incluindo assinaturas da revista Veja.

Para concorrer, era só recortar os selos com pontuações – até 50 pontos – que vinham no canto superior de todos os gibis publicados pela Abril, preencher a cartela (trazida de encarte nas revistas) e não esquecer de colorir o desenho de uma arara que seguia na terceira página.

Valia o sacrifício de desfigurar um pouco a capa dos gibis para recortar o selo. No entanto, para quem podia, sempre existia a opção de comprar mais de um exemplar da mesma revista, a fim de preservar a integridade da coleção.

Comind

Poupança

Em 1985, o hoje extinto Banco Comind lançou uma campanha para divulgar sua caderneta de poupança e usou os Peanuts para promovê-la, apelo para o público infantil até mesmo no direcionamento publicitário.

E para o filho pedir ao pai ou à mãe para abrir uma poupança Comind, nada melhor do que oferecer vários brindes estrelados pelos personagens de Charles Schulz, incluindo minigibis de Snoopy e seus amigos.

Colocar dinheiro no banco era só um detalhe que ficava a cargo dos pais. O que importava para a criançada eram os brindes.

Painel Mágico

Painel Mágico Disney

Essa envolveu até o SBT. No canal de TV, os programas infantis Bozo, Oradukapeta, Show da Simony, Show Maravilha e Mariane sorteavam diariamente as cartelas que os leitores dos gibis Disney da Abril enviavam para lá.

As cartelas deveriam estar preenchidas com os selos – estampados com personagens da turma de Patópolis – que vinham na capa (sempre ali!) dos gibis Disney da editora, no final de 1989.

Os prêmios variavam de computadores a bicicletas e até um minibuggy Fapinha.

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