Os quadrinhos na música brasileira

Por Marcus Ramone
Data: 20 outubro, 2015

Esqueça Liga da Justiça (Foge, Mulher-Maravilha!), que a banda Leva Nóiz cometeu em 2011. A música brasileira tem muitos e melhores exemplos de como os personagens de quadrinhos dão samba (ou rock, MPB e outros gêneros).

E o primeiro registro dessa parceria data de 1936, quando Noel Rosa e Vadico compuseram o samba Tarzan, O Filho do Alfaiate, cuja gravação fez parte da trilha sonora do filme Cidade mulher, naquele mesmo ano.

Mas foi nos anos 1960 que as músicas sobre personagens dos gibis ganharam as paradas de sucesso pela primeira vez. Eram os tempos da Jovem Guarda e Roberto Carlos gravou Brucutu, que por sua vez era uma versão em português para Alley Woop (nome original da criação de V. T. Hamlin),  da banda The Hollywood Argyles. Ainda nessa época, A festa do Bolinha, do Trio Esperança, caiu na boca e nos ouvidos do povo.

Vale também registrar Gotham City, de Jards Macalé e Capinan, que participou do IV Festival Internacional da Canção, em 1969, e foi regravada na década de 1980 pelo Camisa de Vênus.

Nos anos 1970, proliferaram-se famosos nomes dos gibis na música tupiniquim. Uma das que marcaram a infância daquela época foi Boi da cara branca, de Hélio Matheus, em 1977: Acorda em festa e manifesta sua alegria / Como criança vai curtindo sua fantasia/ Um dia é Robin, outro pode ser o Mancha Negra / Superpateta, Super-Homem, rei da brincadeira.

Lee Jackson

Em 1978, o grupo Os Originais do Samba – que contava com o trapalhão Mussum na trupe – compôs O aniversário do Tarzan, em cuja letra desfilavam muitos personagens, como Cascão, Cebolinha, Mandrake, Fantasma e outros.

Muitos podem nunca ter ouvido falar da banda paulistana de rock Lee Jackson. Mas, certamente, quem era criança em 1979 vai se lembrar da música Essa era a era que já era. Era dos super-heróis!, que estourou nas rádios naquele ano e virou até clipe no programa Os TrapalhõesBatman e Robin estão aposentados / Tarzan e Jane estão divorciados / E o Capitão América trocou o escudo / Por um violão / Lanterna Verde gastou sua pilha / Transando a Mulher-Maravilha / E o grande Thor deixou cair o martelo /Em cima do dedão.

A música era a faixa de abertura do LP homônimo. E a letra foi coescrita por ninguém menos que o “mago” e escritor Paulo Coelho.

Caetano Veloso, em Superbacana (Do avanço econômico /A moeda número um do Tio Patinhas não é minha / Um batalhão de cowboys / Barra a entrada da legião dos super-heróis) aumentou essa lista na década de 1970.

Já em 1982, Zé Ramalho lançou o disco Força verde, cuja faixa-título ganhou as manchetes de jornais e revistas por sua letra, que não passava de plágio de um poema de W. B.Yeats, cuja tradução para o português fora usada em uma HQ do Hulk publica pela GEA em 1972.

Anos depois, em 1985, Jorge Mautner atacoucom Cachorro Louco (Um relâmpago dourado rasgou o céu do gibi / E eu fiquei todo chamuscado /Quando o relâmpago bateu aqui /Na minha calça Lee / E depois o Homem-Aranha / Na página dois do mesmo gibi / Me agarrou e quis saber por quê).

Também em 1985, a banda punk Garotos Podres gravou Batman, com uma letra nada favorável ao Cavaleiro das Trevas: Velhos tempos, em quantas belas vomitadas nós dávamos /Quando assistíamos a toda aquela idiotice /Por isso agora escrachamos aquele bat-retardado / Defensor do Sistema, Batman.

Nasi, o Wolverine brasileiro?

Foi nessa década, com a onda de programas infantis na televisão, que as músicas dedicadas aos super-heróis do momento invadiram as rádios e a TV. Bandas formadas só por crianças, como O Trem da Alegria (Thundercats e He-Man) deram as cartas. Mas Xuxa, a “Rainha dos Baixinhos”, deixou sua marca com She-Ra.

E seguem mais algumas dicas para quem quiser conferir outras músicas que homenageiam os quadrinhos: Wolverine blues (Nasi), Os super-heróis (MPB-4), Papai Walt Disney (Conjunto Farroupilha) e Você escolheu errado o seu super-herói (Aguillar e Banda Performática).

Vários outros exemplos podem ser acrescentados. A lista é extensa e mostra que os quadrinhos estão na lista de preferências do brasileiro… ao menos para compor uma canção.

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