O polêmico Homem-Prepúcio

Por Marcus Ramone
Data: 14 maio, 2015

As histórias em quadrinhos de um polêmico super-herói, criado em 2010 pelo ativista social Matthew Hess, continuam deixando em polvorosa as comunidades judaicas dos Estados Unidos – principalmente as de São Francisco, na Califórnia, condado que, em 2011, pôs em votação uma medida legal contra a prática da circuncisão em seu território.

Presidente da MGMbill – organização não governamental que luta pela aprovação de leis que protejam crianças judias daquilo que afirma ser uma violação dos direitos humanos –, Hess vem sendo apontado como antissemita, por produzir gibis contra a circuncisão, o milenar ritual judeu que continua gerando controvérsias.

Seu personagem, o Homem-Prepúcio (Foreskin Man, no original), é um super-herói que usa uma glande como emblema e, quando não está lutando contra o vilão judeu Dr. Mutilador, trabalha como curador do Museu de Integridade Genital. Sua principal aliada é a heroína Vulva Girl, que luta contra a mutilação genital feminina na África.

O jornal Los Angeles Times anotou que a ADL – Anti-Defamation League (Liga Antidifamação), dos Estados Unidos, emitiu um comunicado oficial atacando os gibis do Homem-Prepúcio, acusando a publicação de disseminar o preconceito contra o povo judeu. Hess se defende dizendo que não é antissemita e tenta apenas ser pró-humano.

Foreskin ManForeskin Man

Um dos maiores opositores da série de HQs é o Jewish Journal,  que costuma publicar reportagens contra Hess e seu personagem. E pouco depois do surgimento do Homem-Prepúcio, o quadrinhista judeu Arlen Schumer também juntou forças contra o super-herói e criou o Capitão Israel, em cuja edição de estreia derrotou o inimigo da circuncisão, em um inusitado e não autorizado crossover.

O desenhista regular de Foreskin Man era o brasileiro Gledson Barreto, de Jaguaribe/CE, que se desligou ainda em 2011.

Barreto revelou ao Universo HQ que, ao ser contratado por Matthew Hess para desenhar as aventuras do Homem-Prepúcio, recebera a informação de que aquilo se tratava apenas de uma campanha de conscientização sobre a circuncisão. “Achei que seria uma boa oportunidade para iniciar um trabalho no mercado norte-americano, sonho de qualquer desenhista brasileiro em inicio de carreira. Jamais imaginei que teria esse tipo de repercussão”, disse o desenhista, na época. Por causa da celeuma, ele não quis continuar na revista.

As edições de Foreskin Man podem ser lidas gratuitamente no site oficial da publicação. A mais recente foi publicada no último dia 16 de março, com outro artista assinando os desenhos.

Vulva Girl

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  • Gustavo Borgonovi

    Um ano depois vejo que teve réplica, então vamo lá: realmente existem vantagens higiênicas e de prevenção de doenças na circuncisão. No entanto, existem também evidências de que a sensibilidade do órgão genital é um pouco reduzida. Eu mesmo o sou, mas o fiz por orientação médica na adolescência antes do início da minha vida sexual, então não posso atestar esta última informação. Mas seja como for, eu tive a escolha – e se vc impõe isso a uma criança que não terá como desfazer o procedimento, é, sim, uma forma de mutilação.