Defensores da Terra: Fantasma, Mandrake e Flash Gordon em 2015

Por Marcus Ramone
Data: 17 novembro, 2015

Este ano foi simbólico para o calendário nerd não apenas por causa da chegada de Marty McFly e Doc Brown diretamente de um passado não muito distante. 2015 também era o ano em que se passava uma das séries de desenhos animado mais marcantes dos anos 1980.

Defensores da Terra (Defenders of the Earth) estreou nos Estados Unidos em setembro de 1986. A série sci-fi transformou quatro personagens clássicos dos quadrinhos em uma inusitada equipe de super-heróis reunida por Flash Gordon para combater Ming, o imperador do planeta Mongo, que estava prestes a exterminar a raça humana.

Defensores da Terra

Juntar na mesma frigideira o herói intergaláctico, o justiceiro das selvas africanas e o mágico de fraque e cartola em aventuras de ficção científica já soava por demais estranho aos fãs antigos dos personagens. Mas havia outras extravagâncias em Defensores da Terra, como os novos poderes do Mandrake (ele passou a ser um mago de verdade e não mais um hipnotizador), os armamentos high-tech do Fantasma e o Imperador Ming sem as feições asiáticas, só para citar algumas mudanças significativas.

Para completar, os heróis ganharam filhos adolescentes que os acompanhavam nas aventuras, num claro apelo dos produtores para ganhar de vez o público infantojuvenil. Rick Gordon, L. J. (filho de Lothar), a telecinética Jedda (a filha do Fantasma, que bem poderia se chamar Heloise, como nos quadrinhos) e Kshin, adotado por Mandrake, completavam a equipe, que ainda tinha como mascote o esquisito Zully, um animalzinho de espécie e raça indefinidas.

Lothar, Flash Gordon e Fantasma

Apesar da “heresia” aplicada às crias de Lee Falk, pode-se dizer que Defensores da Terra prestou um grande serviço ao Fantasma e a Mandrake. Não só porque foi a primeira vez em que apareceram numa versão animada, mas pelo fato de que eles tiveram a oportunidade de angariar fãs de novas gerações e, assim, renovar sua permanência no panteão dos ícones da cultura pop.

Os 65 episódios de Defensores da Terra criaram uma febre passageira em torno dos personagens e ajudaram a vender muitos produtos licenciados, principalmente bonecos articulados e jogos de videogame. E, diga-se de passagem, o Fantasma nunca havia estampado tantas embalagens de badulaques em prateleiras de lojas de departamento.

Curioso é que o gibi baseado na série, lançado pela Marvel nos Estados Unidos, não teve nem um lampejo desse sucesso. Foram apenas quatro edições – sendo a primeira lançada em dezembro de 1986 (com data de capa de janeiro de 1987) -, escritas por Stan Lee e Michael Higgins, com desenhos de Alex Saviuk e Fred Fredericks.

Defensores da Terra

Produzido pela Marvel em parceria com a King Features, o desenho animado estreou no Brasil em 1987, no programa infantil Show Maravilha, do SBT. E para os fãs brasileiros, a animação acabou se tornando um marco: ali, a cor original do uniforme do Fantasma foi exibida pela primeira vez ao grande público.

Graças a isso, os quadrinhos do personagem publicados aqui pela Editora Globo tiveram que se render à verdade “escondida” de todos e, em menos de dois anos, os gibis finalmente abandonaram a cor vermelha e deram boas-vindas ao roxo da roupa do “Homem que Nunca Morre”.

Quadrinhos dos Defensores da Terra

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  • Ricardo Caldeira

    Eu também assisti essa série na época,apesar de mal me lembrar dela hoje.No caso do Fantasma,li algo muito interessante em algum lugar:a de que o King Features Syndicate(que detinha dos direitos de publicação)não se preocupava em informar as outras editoras ao redor do mundo qual era o cor certa do uniforme do personagem.
    O resultado disso foi que o traje do “Espírito-Que- Anda” teve um visual que mudava de um país para o outro:azul,vermelho,cinza-prateado,etc.Só muito recentemente é que enfim,resolveram acabar com a bagunça.

  • Chefe O’Hara

    Cheguei tarde demais para alguém ler, mas, até onde a Wikipédia está certa, dois filhos trocaram de pai: era pra Jedda Walker ser “Jedda Gordon”, a filha do Flash, e Rick Gordon seria Kit Walker, o filho mesmo do fantasma do gibi.

    Isso me leva a pensar que, já que não se fala da irmã gêmea Heloise, certamente haveria alguma trama multiepisódica referente ao desaparecimento dela. Quem sabe depois ela fosse encontrada e passasse a integrar o grupo de jovens heróis?

    Quanto a Ming ter pele verde e perder as feições orientais, isso vem desde aquele desenho dos anos 70/80 da Filmation. Provavelmente queriam evitar protestos da comunidade oriental nos Estados Unidos, já que Ming era claramente uma referência à “ameaça oriental” e aos chefões do crime que permeavam a ficção do fim do século XIX até meados do XX.