X-Men Especial # 2

Por Ricardo Malta Barbeira
Data: 26 julho, 2004

X-Men Especial # 2Editora: Editora Abril – Edição especial

Autores: Chris Claremont & John Byrne (roteiro), John Byrne (desenhos) e Terry Austin (arte-final).

Preço: Cr$ 40,00 (preço da época)

Número de páginas: 48

Data de lançamento: Julho de 1990

Sinopse

Num futuro em que todos os mutantes são chacinados ou mantidos em campos de concentração pelas mãos dos robôs Sentinelas, não parece haver esperança frente a uma iminente guerra nuclear.

Caberá aos remanescentes dos X-Men voltar ao passado para tentar modificar o horror em que o presente se transformou.

Positivo/Negativo

Publicada originalmente nos Estados Unidos em 1981, em Uncanny X-Men # 141 e 142, e pela primeira vez no Brasil em 1986, nas edições 45 e 46 de Superaventuras Marvel, esta pode ser considerada a história definitiva dos X-Men, e para muitos a melhor que os mutantes favoritos da Marvel já tiveram.

A dupla que já havia concebido o antológico confronto da equipe com o Mutante X, além da inigualável Saga da Fênix Negra, proporcionou então aos leitores a mais fantástica aventura do grupo mutante.

Escrita por Chris Claremont e John Byrne, Dias de um Futuro Esquecido é, ao mesmo tempo, o ápice e o fim da parceria que não só revolucionou os personagens, mas que também alterou profundamente o que se entendia por quadrinhos de super-heróis.

Num futuro apocalíptico, os seres humanos são divididos em três castas: “H” de humanos normais, “A” de humanos anormais e “M” de mutantes. Estes últimos são caçados impiedosamente, e os que não são mortos, são trancafiados em espécies de campos de concentração.

Os Sentinelas, dominantes na América do Norte, planejam para breve aumentar sua gama de operações para além-mar, mas a Europa não pretende abrir suas fronteiras para os robôs, e prepara uma retaliação à altura, o que possivelmente resultará numa hecatombe nuclear a qual o planeta pode não sobreviver.

É nesse cenário pouco amistoso que os poucos sobreviventes de um grupo outrora conhecido como X-Men planeja uma ação ousada e jamais antes tentada. Ao mesmo tempo em que executam um ataque contra a base dos Sentinelas em 2018, mandam um dos seus para o ano de 1981, para que impeça o assassinato do senador Robert Kelly, que julgam ser o estopim para todo o terror que presenciam.

Redundante dizer que a premissa é sensacional.

Dias de um Futuro Esquecido chega a ser paradoxal, ao mostrar o fim dos mutantes e, ao mesmo tempo, apontar para onde eles irão dali em diante.

Seria tolice não reconhecer que, até hoje, ela é o fio condutor de todo o universo mutante que se seguiu à sua passagem. E influenciou muitas obras nos quadrinhos e fora deles. O filme Exterminador do Futuro, por exemplo, se encaixaria perfeitamente nesse quesito.

Na penúltima página da história, o Anjo pergunta: “Será que mudamos o futuro?”, e o professor Xavier responde: “Só o tempo poderá dizer, Warren!”.

Hoje, pode-se dizer com certeza que Chris Claremont e John Byrne mudaram o futuro.

Algumas considerações: esta história é normalmente mencionada como a última da parceria Claremont/Byrne, mas, na verdade, ainda houve uma, chamada N’Garai, publicada em Uncanny X-Men # 143.

No entanto, vários eventos apontam que ela foi escrita antes de Dias de um Futuro Esquecido, e que serviu mais como tapa-buraco, enquanto os editores procuravam um substituto para Byrne. Substituto esse que acabaria sendo Dave Cockrum, que havia sido o antecessor do artista no título.

A respeito do “fim da parceria”, que se iniciara em Uncanny X-Men # 108, atribui-se a gota d’água no relacionamento tempestuoso da dupla ao quadro em que a Ororo do futuro aparece utilizando seus dotes de ladra para abrir a porta do quartel-general dos Sentinelas (página 34 desta edição).

Byrne teria argumentado que os robôs gigantes não se preocupariam em “trancar a porta”, com o que Claremont, autor da idéia, concordara. Mais tarde, porém, o roteirista teria chamado o arte-finalista Terry Austin para refazer o quadro, colocando a cena original que imaginara com a “ladra” Ororo. Desnecessário dizer que Byrne, então já bastante genioso, teve um chilique daqueles, e resolveu abandonar os mutantes, assumindo a revista do Quarteto Fantástico.

Nesta compilação especial da Editora Abril, por algum obscuro motivo, foi excluída a última página da história, que trazia um “epílogo” com a presença do senador Kelly, de Sebastian Shaw (o Rei Negro do Clube do Inferno) e de Henry Peter Gyrich (na época, figurinha fácil nas histórias dos Vingadores).

Devido a um mistério editorial, esta história nunca foi publicada no Brasil com a qualidade merecida. Fato este que poderia ser corrigido pela Panini. Convenhamos que chega a ser engraçado a editora lançar dois volumes de O Melhor dos X-Men de Jim Lee, deixando a fase áurea dos heróis mutantes no limbo, ou melhor, nos sebos.

Classificação

5,0

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