Vikings – A Viúva do Inverno

Por Romeu Martins
Data: 13 abril, 2012

Vikings - A Viúva do InvernoEditora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Brian Wood (texto), Leandro Fernandez (arte), Dave McCaig (cores), Massimo Carnevale (capas) – Originalmente em Northlanders # 21 a # 28.

Preço: R$ 23,90

Número de páginas: 192

Data de lançamento: Fevereiro de 2012

Sinopse

Nos arredores do rio Volga, no inverno de 1020 d.C., uma cidade viking de 700 habitantes é isolada do restante do mundo para tentar evitar o contágio de uma doença mortal.

Hilda torna-se viúva em meio aos acontecimentos e precisa tentar sobreviver ao lado de sua filha Karin, de apenas oito anos, à série de horrores que ocorre naqueles longos meses de frio.

Positivo/Negativo

Esqueça aquela imagem popularizada desde as primeiras montagens de óperas em que os vikings aparecem como guerreiros ensandecidos com capacetes cheios de chifres.

Na série Northlanders (traduzida e simplificada como Vikings no Brasil), criada por Brian Wood para a Vertigo, não faltam os guerreiros ensandecidos entre aqueles habitantes do norte. Mas o cuidado histórico que o escritor reservou a suas HQs evitou anacronismos como os tais capacetes cujos adornos nunca existiram.

Da mesma forma, o universo daqueles protagonistas que aterrorizaram a Europa mil anos atrás é bastante enriquecido por outros personagens e abordagens além dos costumeiros saqueadores, sempre com as espadas e machados nas mãos. O roteirista, conhecido também por sua série futurista ZDM – Terra de ninguém e pelas capas que fez para as 12 edições de Frequência global, de Warren Ellis, focou em outros aspectos do cotidiano dos antepassados dos escandinavos de nossos tempos.

Este encadernado, que reúne oito histórias da série mensal, é um ótimo exemplo. A ambientação mostra uma cidade fundada pelos nórdicos, com sua estrutura política organizada e com sua rede de comércio estabelecida. Os protagonistas já se mostram afeitos à fé cristã, ainda que guardassem memória dos antigos deuses que cultuavam.

Ou seja, uma imagem bem mais complexa que aquela costumeiramente vista em outras produções que tenham os vikings como protagonistas. Um cuidado que foi recorrente nas histórias anteriormente publicadas na revista Vertigo, na qual as primeiras foram publicadas antes de a série ceder espaço para a minissérie Joe, o bárbaro, de Grant Morrison e Sean Murphy, e recomeçar a sair, agora na forma de encadernados como este.

Em Vikings – A viúva do Inverno, o foco das atenções está em uma das moradoras daquela cidade fundada às margens do agora congelado rio Volga. Uma pestilência misteriosa mata o marido de Hilda, um rico comerciante local com assento garantido nas assembleias do Grande Salão, obrigando-a a cuidar sozinha de sua filha entre os rigores do inverno, o medo do contágio daquela doença mortal, os perigos de uma invasão, o assédio daqueles que invejam sua posição e que gostariam de dominá-la.

Atualmente, sequências assim, que formam uma longa continuidade dentro de uma série mensal, são chamadas de arcos. Até os anos 80, o termo mais comum para se referir a elas no Brasil era emprestado das narrativas vikings: sagas.

Seja como o leitor preferir chamar tais sequências, o fato é que Brian Wood concebeu Vikings para ser um conjunto desse tipo de narrativa, sem protagonistas fixos e que podem ser lidos de forma independente, sem um prévio conhecimento do conjunto. É uma série perfeita para ter vida própria, sem precisar sair em uma publicação mix, como a mensal Vertigo.

Para o leitor que acompanhou esta longa sequência em seu formato original, havia a sensação de ler os acontecimentos em um período de tempo similar ao do enorme inverno retratado na trama, que ocupou aproximadamente metade do ano de 1020.

Já para os brasileiros, a vantagem é receber tudo de uma vez e poder optar pelo ritmo que se quiser dar àquelas quase duzentas páginas tensas e, por vezes, tão próximas dos contos de terror.

Tal vantagem poderia ser ainda mais valorizada caso o encadernado viesse com algumas informações sobre a série e seus autores, especialmente para os novos leitores que não conheceram o material no tempo em que ele saía mensalmente nas bancas. Porém, a Panini reservou apenas três páginas para os rascunhos dos personagens feitos pelo desenhista minimalista Leandro Fernandez e a exposição das capas originais Massimo Carnevale.

Classificação

3,5

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