The Man of Steel # 3

Por Marcus Vinicius de Medeiros
Data: 19 abril, 2013

The Man of Steel # 3Editora: DC Comics – Minissérie em seis edições

Autores: John Byrne (roteiro e desenhos), Dick Giordano (arte-final) e Tom Zuiko (cores).

Preço: US$ 0,75

Número de páginas: 32

Data de lançamento: Agosto de 1986

Sinopse

Continua a saga da nova origem do Homem de Aço por John Byrne. No início de suas atividades, o Superman vai a Gotham City com um objetivo especial bem definido: confrontar Batman e entregá-lo às autoridades.

Mas logo o defensor de Metrópolis e o Cavaleiro das Trevas unirão forças contra a letal supervilã Magpie.

Positivo/Negativo

Quando planejou a minissérie Batman – O Cavaleiro das Trevas , o roteirista e ilustrador Frank Miller já tinha estabelecido que um dos elementos centrais da narrativa seria a oposição entre o Homem-Morcego e seu antigo aliado Superman.

Na visão de Miller, duas figuras heroicas tão distintas não poderiam atuar como amigos, e o confronto era inevitável. Já o talentoso John Byrne, na mesma época encarregado de reformular o Homem de Aço para os então novos tempos, trocava ideias frequentemente com o colega e aproveitou a nova dinâmica entre os Melhores do Mundo, de forma retroativa, na série The Man of Steel.

O terceiro número da revista lidou com o primeiro encontro entre Superman e Batman, suas abordagens diferentes no combate ao crime e o relacionamento que viria a marcar os dois super-heróis mais tradicionais do mundo dos quadrinhos. O resultado é uma história empolgante, que definiu novos rumos para o Universo DC e permanece como um dos pontos mais inspirados dessa jornada.

The Man of Steel foi a aposta da DC num dos talentos mais aclamados dos quadrinhos durante a década de 1980 para redefinir seu maior ícone, com liberdade criativa e um aparato de marketing grandioso. Byrne eliminou a bagagem cronológica do Superman que considerava redundante, diminuiu o seu nível de poder quase divino e buscou aproximar o personagem dos ideais dos criadores Jerry Siegel e Joe Shuster, mas bem formatados para os novos tempos.

A empreitada foi bem-sucedida e fincou seu espaço no imaginário coletivo, por meio de reformulações posteriores e adaptações a outras mídias. E o destaque foi o trabalho do autor nas personalidades marcantes do elenco de coadjuvantes e dos super-heróis da editora, garantindo um frescor renovado a suas aventuras.

Se muitas das decisões de Byrne ainda dividem opiniões, a nova dinâmica entre Superman e Batman figura como um acerto justamente por sugerir um senso de mudança e evolução em seus universos.

Conforme idealizado por John Byrne, Superman e Batman não parecem amigos íntimos, tampouco oponentes mortais. Eles agem, sim, como heróis determinados e eficientes, os mais capazes em suas respectivas áreas de atuação, mas cujas visões de mundo diferentes os colocam em rota de colisão.

O mais legal para quem acompanhou os gibis da época foi seguir o amadurecimento dessa relação, da desconfiança e admiração mútua para uma noção de companheirismo e, enfim, amizade verdadeira. O tema foi explorado em seus títulos próprios, na revista da Liga da Justiça e em projetos especiais, culminando, décadas mais, tarde em eventos como Torre de Babel e Crise Infinita, que – novamente – mudaram os rumos do “Universo Original”.

Por outro lado, a vilã criada por Byrne para marcar o início da parceria heroica disfuncional estava longe de ser memorável, e foi uma de suas contribuições para o mito que não vingaram. Magpie jamais figurará numa lista de personagens mais queridas do público, enfim.

Em termos de arte e narrativa visual, Byrne arrebenta em The Man of Steel.

É interessante contrastar a visão consagrada de John Byrne com os Melhores do Mundo ao trabalho vigoroso de nomes mais recentes, como Mark Waid e Grant Morrison, que interpretam essa dinâmica de personagens de forma bem original e diferenciada.

Na fase pós-reboot da DC, Morrison apresenta um jovem Superman disposto a mudar o mundo, campeão do homem comum e carregado de idealismo, brincando com as expectativas do público que imaginava conhecê-lo tão bem.

Talvez esteja aí o trunfo maior dos super-heróis, que resistem há décadas e seguem encantando gerações. Eles continuam sendo reinventados para tempos diferentes com características que melhor se adaptem a cada contexto, sem perder a essência. E isto, sem dúvida, é só para “os melhores”.

Classificação

4,0

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