Os Escapistas

Por Jota Silvestre
Data: 18 fevereiro, 2011

Os EscapistasEditoraDevir Livraria – Edição especial

Autores: Brian K. Vaughan (roteiro), Steve Rolston, Jason Shawn Alexander, Philip Bond e Eduardo Barreto (desenho e arte-final) e Dave Stewart, Matthew Hollingsworth, Paul Hornschemeier e Dan Jackson (cores) – Publicado originalmente nas edições # 1 a # 6 da série The Escapists.

Preço: R$ 39,50

Número de páginas: 160

Data de lançamento: Dezembro de 2010

Sinopse

Após a morte de seu pai, o jovem Max Roth recebe a chave do porão que guarda uma vasta coleção de revistas e suvenires relacionados ao Escapista, antigo herói da Era de Ouro dos quadrinhos criado por Sam Clay e Joe Kavalier.

Max encanta-se de tal forma com as aventuras, que usa a herança que recebeu para comprar os direitos autorais do personagem e, com a ajuda de dois amigos, lança uma nova revista do Escapista para a atual geração de leitores.

O sucesso imediato da empreitada logo atrai a atenção de um magnata das comunicações, e Max e seus amigos aprendem que sobreviver na indústria dos quadrinhos continua tão difícil hoje quanto era há 70 anos.

Positivo/Negativo

Este é o segundo lançamento da Devir baseado na obra de Michael Chabon, As incríveis aventuras de Kavalier & Clay.

No livro, Chabon usa a história fictícia de dois primos judeus que criaram o herói Escapista para montar um panorama da gênese dos quadrinhos de super-heróis na América dos anos 1930.

As Incríveis Aventuras do Escapista, lançado no início de 2010, é um rico exercício de metalinguagem em que um grupo de roteiristas e artistas – Harvey Pekar e Will Eisner entre eles – é reunido para contar histórias do herói como se elas realmente tivessem sido publicadas ao longo das últimas décadas.

Neste Os Escapistas, Brian K. Vaughn dá continuidade ao mito e eleva o uso da metalinguagem a outro patamar.

Além do conteúdo – uma HQ falando da criação de outra HQ -, Vaughn lança mão da figura de linguagem também no formato. A narrativa intercala a saga dos três jovens autores com a própria revista que eles estão produzindo – o que difere uma da outra é o estilo da arte.

Porém, em determinados momentos, textos de recordatórios e até diálogos entre os personagens principais vão parar nos balões das páginas do Escapista, evidenciando a mistura entre ficção e realidade presente desde as primeiras páginas do livro de Chabon.

Trata-se de um recurso narrativo que, se não é inédito é, no mínino, muito raro – e causa um efeito impressionante.

O único senão da edição é que a HQ tem tantas referências à mitologia criada por Chabon que o leitor que não conheça os trabalhos anteriores pode se perder. A compreensão não chega a ficar comprometida, mas muitas das nuanças que enriquecem a obra serão perdidas.

No aspecto editorial, a Devir poderia ter tomado mais cuidado, pois algumas falas saíram impressas fora dos balões.

Classificação

4,5

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