Ordinário

Por Marcelo Santos Costa
Data: 18 fevereiro, 2011

OrdinárioEditora: Quadrinhos na Cia. – Edição especial

Autor: Rafael Sica (texto e arte).

Preço: R$ 29,90

Número de páginas: 128

Data de lançamento: Fevereiro de 2011

Sinopse

Compilação das tiras publicadas no blog Ordinário, de Rafael Sica, com algumas ilustrações exclusivas.

Positivo/Negativo

O formato de tiras em quadrinhos sempre foi muito bem-vindo pelo grande público, que comumente o associa ao gênero do humor, enquanto faz sua leitura diária dos jornais impressos. Mas Ordinário é mais um trabalho para mudar um pouco essa mentalidade.

Primeiro trabalho solo de Rafael Sica publicado, finalmente chegou às livrarias, após aQuadrinhos na Cia. tê-lo anunciado para dezembro de 2010. Mas não imagine que o título da obra reflita o seu conteúdo, pois a qualidade artística passa longe do comum.

Ordinário é uma coletânea de tiras publicadas no blog do autor entre 2007 e 2010 que retrata a vida cotidiana (e, agora sim, ordinária) de maneira extremamente densa e cinzenta. O cinza, aliás, é a única cor utilizada para preencher algumas das imagens em preto e branco.

Dentre os temas abordados, o surrealismo é o que mais se destaca: de alguém que dá o de comer a um monstro de lixo no que parece ser o rio Tietê, em São Paulo, a um corpo que se despede de sua cabeça flutuante e desprendida.

Em alguns momentos, o trabalho de Sica não parece se importar em transmitir uma mensagem. Em outros, no entanto, a cena muda ao mesclar surrealismo com critica social e o tom adquire todo um cenário ainda mais ácido.

Por ser uma coletânea, isso é natural, por retratar o amadurecimento do autor ao longo dos anos. Mas, vale enfatizar, não é o caso, pois as tiras não estão em ordem cronológica.

O formato horizontal adotado pela editora ao colocar uma tira em cada página só conduz o leitor ainda mais a este universo que, apesar de bizarro e obscuro, lhe é familiar.

O traço de Sica reflete uma busca de identidade que caminha do limpo ao pesado e, em alguns momentos, lembra desenhos do argentino Liniers, de Koostella (com seu último trabalho, Gefangene), de Angeli e de Adão.

Em contrapartida, há passagens de originalidade pura, quando Sica brinca com a experimentação no formato e a linguagem das tiras.

Mesmo não sendo um trabalho uniforme, Ordinário não perde seu brilho – este certamente será um dos grandes álbuns do quadrinho nacional no ano. A Quadrinhos na Cia. acertou em cheio ao colocá-lo no mercado.

A edição está de parabéns por apostar em uma incursão inteligente entre literatura e quadrinhos no final do livro, em que quatro textos descrevem como são criadas as obras de Sica.

Parece que, após conseguir trazer Lourenço Mutarelli para o seu rol de escritores/quadrinhistas, a editora terá mais um autor “maldito” no catálogo.

Classificação

4,0

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