Estrada para Perdição # 1

Por Diego Figueira
Data: 19 dezembro, 2008

Estrada para Perdição # 1Editora: Via Lettera – Série em três edições

Autores: Max Allan Collins (roteiro) e Richard Piers Rayner (desenhos).

Preço: R$ 24,00

Número de páginas: 104

Data de lançamento: Março de 2002

Sinopse

Inverno de 1930. O garoto Michael O’Sullivan Jr. decide se esconder no carro de seu pai para ver como são os seus dias de trabalho.

Ao testemunhar o pai e outro homem executarem um grupo de mafiosos adversários, o menino tem sua vida mudada para sempre.

Os criminosos a quem o sr. O’Sullivan, mais conhecido como “O Arcanjo da Morte”, servia decidem puni-lo por deixar que o menino descobrisse seu segredo e revidam atacando sua casa.

Apenas pai e o garoto sobrevivem e fogem para escapar do poder de um dos maiores mafiosos dos Estados Unidos.

Assim começa a jornada de um menino e seu pai, envolvidos numa relação cheia de conflitos.

Positivo/Negativo

Estrada para Perdição é muito mais do que uma história de gângsteres, gênero muito cultuado nos quadrinhos e no cinema. Em meio ao cenário característico da década de 1930, as intrigas e as cenas de ação, se desenvolve um drama intenso.

A obra, na verdade, é uma espécie de romance de formação ambientada em um dos períodos mais marcantes da história norte-americana, a Grande Depressão. Michael O’Sullivan Jr. tem sua infância interrompida pela execução que seu pai comete diante de seus olhos e pelas terríveis conseqüências que isso traz.

O menino passa a ver de perto um mundo que sempre foi mantido distante dele, cheio de corrupção, traição e violência. Tendo que tomar parte da guerra que o pai trava contra aqueles que mataram sua família, o garoto tem seus ritos de passagem, seja atrás do volante de um carro ou de uma arma.

Em sua viagem de fuga, o menino começa a conviver e conhecer melhor o pai, que sempre escondeu seu trabalho dos filhos. A relação dos dois é marcada por sentimentos conflitantes da parte do garoto, que, apesar de admirar o pai e até se sentir feliz por ficar mais próximo dele, sente que o seu modo de vida contraria tudo que ele e a mãe lhe ensinaram.

Dessa forma, o roteirista Max Allan Collins (veja aqui uma entrevista com o autor) cria um narrador extremamente interessante. Escrevendo suas memórias já adulto, Michael Jr. mostra que a figura de seu pai ainda é um enigma para ele. Suas lembranças misturam fato e mito, pois aquelas cenas que não presenciou ou de que não se recorda totalmente são completadas por informações que recolheu dos “historiadores do crime” que escreveram sobre o Arcanjo da Morte.

Para dar vida a tudo isso, o excelente Richard Piers Rayner, perfeito tanto nas cenas de ação quanto nas mais intimistas. Em ambos os casos, prevalecem sua habilidade para o desenho da figura humana, seus movimentos e expressões.

A técnica de Rayner compreende um uso sofisticado de luz e sombra para dar forma aos personagens, que assim não são resumidos a um conjunto de traços comuns, a simplificação típica do cartum, mas que existe, em maior ou menor grau, na maioria das histórias em quadrinhos.

Nos desenhos de Rayner não há traços que se repetem para representar uma mesma parte do corpo duas vezes, tudo é feito pela composição da luz em cada quadro.

Assim, o desenhista acompanha Collins na criação de uma obra rica em situações e sentimentos variados, com texto e arte de primeira qualidade.

Classificação

4,5

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