Bom de briga

Por Milena Azevedo
Data: 28 novembro, 2014

Bom de brigaEditora: Quadrinhos na Cia. – Edição especial

Autor: Paul Pope (roteiro, arte e cor).

Preço: R$ 40,00

Número de páginas: 208

Data de lançamento: Junho de 2014

Sinopse

Os monstros tomaram Arcópolis, sequestrando as crianças para seu submundo nefasto e instaurando um reinado de terror. Com a morte do vigilante Haggard West, a única esperança da cidade é o garoto Bom de Briga, um semideus de 12 anos que ainda está descobrindo seus poderes.

Positivo/Negativo

Custa-se a crer que Paul Pope fez uma HQ infantojuvenil, haja vista seus trabalhos anteriores serem povoados por cenários delirantes e sexys, como 100%, Heavy Liquid, Escapo e Batman – Ano 100.

Mais interessante ainda é saber que Pope deu conta do recado e até ganhou o Eisner na categoria Melhor Publicação para Jovens Adultos (entre 13 e 17 anos), em 2014.

Bom de Briga foi publicado no Brasil, sem muito alarde, pela Quadrinhos na Cia. E a leitura é extremamente fluida e atrativa para adolescentes que curtem mangá e/ou literatura fantástica.

A trama foca no rito de passagem da infância para a adolescência, chamado de “virada” ou “incursão”, pelo qual o semideus Bom de Briga deverá passar. Para isso, seu pai o leva a Arcópolis, que ainda chora a morte de seu vigilante (um herói da ciência) Haggard West, e lhe pede para livrar aquela cidade humana de todas as aberrações monstruosas que a infestam.

Mesmo temeroso, Bom de Briga se vê forçado a encarar o desafio. Para lhe ajudar, recebe de presente uma mala com 16 itens, entre eles 12 camisetas feitas com um tecido encantado, as quais ostentam totens pintados com “sangue-da-lua pulverizado”, cujas habilidades assimila quando as veste, embora ele ainda não tenha pegado completamente o jeito da coisa.

Arcópolis testemunhará a transição da era dos heróis da ciência para a dos super-heróis ao alçar Bom de Briga ao posto de novo defensor local, rebatizado como “Arcomoço”. Então, sem querer, o menino compra briga com Aurora (a filha de Haggard West, que vem treinando escondida para ser uma vigilante tão boa quanto seu pai), e com toda a “gangue dos espectros”.

Com uma trama simples e abusando das cenas de ação, que saltam aos olhos devido ao seu traço nervoso e suas onomatopeias histéricas, ganhando vida numa paleta de cores que abusa dos tons quentes, Pope prestou uma baita homenagem aos quadrinhos e aos pulps (há várias referências, que vão de Thor a Batman, até Buck Rogers, Rocketeer e Homem-Animal, passando pelos monstros gigantes japoneses), com alusões a mitologia nórdica e relatos lendários (vale lembrar que Humbaba era o nome do guardião da floresta de cedros, na Epopeia de Gilgamesh, e só foi derrotado porque o Rei de Uruk fez um pedido a Shamash, o deus do sol).

O chato desse quadrinho é que, quando o bicho está pegando, a história acaba abruptamente. Fica-se à espera de que Pope finalize logo o segundo volume e que a Quadrinhos na Cia. publique aqui os especiais The Death of Haggard West e The Rise of Aurora West.

Classificação

4,0

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