Resenha: Com segunda chance, Wolverine entrega o que promete (e só)

Por Eduardo Nasi
Data: 23 julho, 2013

Wolverine - ImortalLogo no começo do primeiro X-Men de Bryan Singer, ainda em 2000, havia uma sequência em que Wolverine e Vampira se metiam em uma briga de bar. Ao final, os dois pegavam a estrada, mas o road movie que poderia ter acontecido logo após aquelas cenas ficou latente, dando espaço à ficção científica dos mutantes.

Wolverine – Imortal (The Wolverine, 2013), que estreia nesta sexta (26), retoma esse espírito aventureiro e estradeiro daquela primeira cena. É um filme sem X-Men, sem uniformes coladinhos no corpo, sem naves supertecnológicas. Há uma modesta meia dúzia de mutantes com poderes discretos, isto é: telepatas e uma cientista venenosa. Ninguém atira raios com olhos ou voa… Já é bem diferente de X-Men Origens – Wolverine (2009), e isso, ufa, é um alívio.

Apesar da bomba que foi o filme anterior, Wolverine merecia uma segunda chance. Se nos quadrinhos o personagem já tinha lá seus atrativos, encarnado por Hugh Jackman se tornou charmoso e encantador. O Logan do ator é absolutamente icônico, digno de fazer par com o Superman de Christopher Reeve e com o Batman de Adam West. Da leva recente, só o Homem de Ferro de Robert Downey Jr. pode reivindicar esse patamar.

Como explicou uma amiga deste jornalista na saída da pré-estreia: “Superman é coxinha; o Wolverine é aquele cara meio estragado, meio sujo, que toda garota tem a esperança de que um dia vai convencê-lo a parar de largar a toalha molhada em cima da cama”.

Um personagem com uma força dessas não podia ficar fora das telas. Com a recente reformulação da franquia dos X-Men como uma equipe de adolescentes, Wolverine ficou às margens da franquia, e o retorno com um filme solo do herói ficou quase inevitável.

O novo longa-metragem se passa depois de X-Men – O confronto final (2006) e é livremente inspirado em quadrinhos de Chris Claremont e Frank Miller, embora o espectador possa se virar bem sem ter visto o filme anterior ou lido as HQs.

No filme, a morte de Jean Grey levou Logan a vagar pelo mundo, até que a jovem Yukio o encontra e diz que um velho conhecido, que se tornou um empresário poderoso no Japão, está prestes a falecer e gostaria de revê-lo para agradecer. Em Tóquio, Wolverine recebe uma proposta do homem à beira da morte: sua tecnologia pode dar cabo do fator de cura de Wolverine e libertá-lo para envelhecer e morrer como um homem comum. O bilionário tem uma neta e herdeira, Mariko, que passa a ser perseguida pela Yakuza depois de sua morte.

Claro: Wolverine começa a perder seus poderes, mas cabe a ele salvar a mocinha – e esse está longe de ser o único clichê do filme. Mesmo sem uniformes colantes e capas, Wolverine – Imortal ainda está repleto de lugares-comuns de super-heróis, especialmente no arco final. Afinal, o filme é um blockbuster de verão, com vantagens, mas também as idiossincrasias e didatismos que o gênero exige.

Isso fica escancarado, por exemplo, nas duas vezes em que dois personagens diferentes explicam, com todas as letras, que Wolverine é “um ronin, um samurai sem mestre”. Oras, “ronin” quer dizer “samurai sem mestre”. Além de recorrer a uma frase vazia para explicar a alma do herói, o roteiro consegue ser redundantemente redundante. É o tipo de coisa que vai provocando a cansada paciência do pobre espectador.

Wolverine – Imortal chegou a ser anunciado como um projeto de Darren Aronofsky (Pi, Cisne Negro), um diretor que pelo menos provoca mais que James Mangold (Garota, Interrompida). Mas Aronofsky desistiu, ou foi demitido, sabe-se lá. Na época, a promessa era de um filme com violência e sexo.

Mangold mostra violência, mas a sexualidade se limita ao corpão desnudo de Jackman – Logan paga cofrinho, é acariciado, cortado, algemado, abusado com um esfregão, mas não pega ninguém.

O grande mérito do diretor talvez seja mesmo o de entregar o que o público espera: um filme correto, que é despudoradamente sobre Wolverine. Mas não vai além: não arrisca nada. Por tabela, não surpreende.

Mas, para o público de Wolverine e de Hugh Jackman, o esperado pode ser simplesmente o suficiente.

Wolverine – Imortal
Duração: 126 minutos
Estúdio: 20th Century Fox
Direção: James Mangold
Elenco: Hugh Jackman, Famke Janssen, Rila Fukushima, Svetlana Khodchenkova, Will Yun Lee, Tao Okamoto, Hal Yamanouchi, Hiroyuki Sanada.

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